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ebook de poesia · 2026

Do dito
silêncio,

reina em nós a Poesia

Adriel Lira

Poema I

Do dito silêncio

Há palavras que nunca foram ditas,
nelas moram sonhos, saudades e
alguns poemas.

01 · Jun · 2026

Poema II

Brincando de Gente Grande

Criança impaciente
Que se põe a imaginar,
Como gente grande
Que se lança ao mundo vil.
 
Ignora seu quintal
Que é maior do que
Está lá fora.
 
Trajando sem medida
Um desejo de grandeza.
Quer livrar-se da miudeza
Do seu eu infantil.
 
Criança impaciente,
Agora não é mais criança.
É com certeza gente grande,
Com toda sua dor.
 
Restam agora alguns segredos
E um punhado de lembranças
De quem era, de quem amou.
 

01 · Jun · 2026

Poema III

Para um amigo poeta

Tenho um amigo poeta
Um poeta melhor que eu.
Que omite os pesares da vida,
Em linhas melancólicas e bonitas
 
Tocando suave a alma desajeitada
De todos aqueles
Que o leem
 
Tenho um amigo poeta
Que não vaza em seus versos
Suas paixões
 
É sempre modesto com a escrita,
Não assina e nem faz notícia.
Se ama, ninguém o sabe,
Até que não caiba, até que vaze.
 
Tenho um amigo poeta,
Que possui um olhar aguçado.
Versa terra, versa garoa,
Versa seu eu bagunçado.
 
 

03 · Jun · 2026

Poema IV

Silêncio

Observei calado os seus pés
Dançando com as folhas secas,
Com o fim do outono.
 
Observei calado o seu prazer por peças
E, imaginei que tipos de mentiras
Saem da sua boca.
 
Observei calado sua coragem e
Desejei aprendê-la mais de perto.
 
Salguei memórias de seus olhos marejados,
Para que eu não as veja
Novamente em meus sonhos.
 
Em silêncio,
Aprendi sobre ti,
Mais do que qualquer outro.
 
Em silêncio,
Desenhei seu sorriso
Com alguns adjetivos bobos.
 
 

03 · Jun · 2026

Poema V

Flugelhornista de verão

Como todos aqueles que esquecem de si
E abraçam um futuro imponderável
Tingi meus sapatos outrora coloridos
Com um cinza inigualável
 
Os pés, acostumados a flutuar
Se contentam agora com o rastejo
Sob terras que antes cheias de vislumbres
Sob terras que antes me incitavam o desejo
 
Mas como todos aqueles que ainda guardam esperança
Encontrei o Flugelhornista de verão
Que tocava em tom maior, melodia tão solene
Com desdém para quem ainda se agarra à solidão.
 
Quem me dera, Flugelhornista de verão,
Possuir dom tão semelhante
Para espantar dores de uma década
Que ainda ardem tão constantes

05 · Jun · 2026

Poema VI

Para além do traje

O humano decidiu ser humano.
 
Se vestiu de uma verdade solúvel,
Despiu de seus ombros a coragem
E viveu o luto de seus erros.
 
Riu, se envergonhou,
Se arrependeu, perdoou.
Amou tanto quanto imaginava,
Porém, menos que gostaria.
 
Se permitiu sonhar,
Mas, mesmo realizando metade deles,
Se manteve insatisfeito.
 
Enfim, o humano decidiu ser humano.

11 · Jun · 2026

Sobre o projeto

Do dito silêncio,
reina em nós a Poesia

Há palavras que nunca foram ditas. Elas não se perderam — apenas ficaram guardadas no silêncio, esperando o momento certo para existir.

Este projeto nasceu da crença de que o silêncio não é ausência: é onde a poesia habita antes de ser escrita. É o espaço entre o sentimento e a palavra, entre o que se vive e o que se conta.

Os poemas reunidos aqui são fragmentos desse silêncio interior — pequenos mundos feitos de sonhos, saudades e tudo aquilo que um dia ficou por dizer.

« reina em nós a poesia »

Do dito silêncio · 2026

Adriel Lira
Do dito silêncio

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© 2026 Do dito silêncio.